terça-feira, 23 de abril de 2013

"escritor sem pudor"


meu amor
como é grande esse querer
que eu sinto ao sentir
o seu corpo inerte
deitar-se sobre o meu
que é tão cálido

meu bem
quero contar um segredo
que talvez a deixe com medo
eu sou sádico
e colecionador
eu coleciono a dor

as dores alheias
me tornaram um escritor
sem pudor
mas não tenha receio
eu só quero fazê-la
sofrer por amor

domingo, 21 de abril de 2013

Desabafo de uma boa moça


cansei de chorar por você. saí de casa e fui ao bar. mas o maior problema é que o rapaz mais belo do bar ainda é você – mesmo que esteja em casa. cansei de sofrer por você. cansei de lembrar de tudo aquilo que prometeu. você disse tantas palavras bonitas, mas não foi capaz de cumprir a metade dessas frases ditas. e eu tenho que admitir que, apesar de boa moça, eu não sou idiota nem tão ingênua. guarda esses galanteios baratos para outra, porque eu não sou mais a sua pequena.

sábado, 20 de abril de 2013

Um timbre doce e suave


observa o horizonte obscuro
com as pupilas dos seus olhos

um vasto nefasto horizonte
tão distante e soturno

não cintila nem contesta
o flautista em sua seresta

adormece ao som melodioso
e só resta o choro da flauta

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Eu lírico


eu escrevi algumas poesias
e dediquei a você
eu amei em melodias
e fiquei à mercê
eu fiz o que podia
mas não pude resolver

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Poema para o moreno que me fez chorar


procurei em outros bares
em copos cheios e depois vazios
em outros olhares e retratos
no supermercado e no cinema
na farmácia e no teatro
busquei em tantas ruas e becos
alguém que substituísse
a sua presença tão ausente
bati em tantas portas
mas só encontrei um vácuo e
beijos rudes que me faziam chorar
e borrar a maquiagem
me deixando tão vulgar

Mais um poema clichê


cansei de ser tão calma,
tão doce, serena e sua.
cansei de ser assim
tão pura, e fraca, e burra.
cansei de me doar a você
e ser uma poetisa clichê.
quero ser dura e não
esperar todas as noites
por alguém que nunca vem.

Destino


na biblioteca
havia um rapaz tão certo
com uma beleza franca
e um olhar tão esperto
lendo Florbela Espanca

sorriu para mim
com um ar libertino
até fiquei com vertigem
e culpei o destino