segunda-feira, 10 de março de 2014

As estrofes



O chá banhou os versos do meu poema
e das estrofes eu fiz um imenso dilema
ao ver em meu quarto o seu belo retrato
transformei-as em um curto esparadrapo
figurando um ready-made do Duchamp
que grudei à melancolia do meu coração

Vísceras de nonsense neste sentimento em delação
Dissimulado em versos de poesias ultrarromânticas

Que ultraje seria se não fosse uma aveludada canção
Para acompanhar o escorrer do líquido sobre as estrofes

As palavras já não surgem facilmente
e não considero isso um grande problema
pois o veludoso som penetra-me calmamente
fazendo-me mais taciturna do que inerte
semelhante à xícara vazia sobre a mesa
não tão oca quanto as estrofes devolutas
que vagam em um fluído de incerteza
impelindo-me a emoções irresolutas

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

as meias amarelas que você esqueceu



brincando de soldado na segunda guerra
enquanto guardo as suas meias amarelas
no meu sutiã vermelho sangue e recordo-me
vagamente das estrelas decadentes que beijei
pelas frestas dos seus dentes superiores e ainda
assim não pude achar a saída desta galáxia
onde me perdi ao encontrar estas velhas
meias amarelas que você deixou na parte
mais iluminada da nossa lua e eu ainda
estou sonhando nua em suas frases chiadas
e contagiantes entre as nossas tantas risadas
conectadas pelos dois lados deste vasto afeto
que eu escrevi com o Allen na primeira tarde
depois da sua partida à tribo do lado oeste
quando se esqueceu de me dar o beijo azul celeste
que me libertaria deste cofre prata do sul
e então apesar do epílogo que remanesceu silente
pela luneta dos meus olhos avermelhados
eu sei que posso observar o ocidente dos seus
pés distantes descalçados das velhas meias
amarelas que agora estão guardadas nos
meus seios de anseios constelados.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Something for John Quixote



Who was Dulcinea?
Who was Don Quixote?
I don't have an idea
But I could think a lot
I’m a beatnik and Kerouac's fan
I'm crazy about Dalí and I know
I would paint you under the sun
And I could write a poem to you
I want to be your bedside's problem
Or maybe just your pair of socks
I want to find your chords again
In fact I'm just another latin american
Looking for a place & a chance
When half of the tears are feelings
And the other half only water
Is a good thing
Who was Rimbaud?
What was the symbolism for us?
I don't know how to tell you for sure
But I can show if you want

terça-feira, 12 de novembro de 2013

caoseterno



veja esta moça que observa – pela janela – a sua história
a moça que não esquece o engano que o tempo – senhor do fado – gerou
esta derreada moça que examina o seu passado em sua memória
e que não olvida o desalento que no vento outrora encontrou
em seu corpo ainda estão pregados os vestígios dos mistérios
que o destino – tão cretino – assentou em seu perturbado caminho
e ainda fez da sua trajetória uma composição de escárnios
transformando-a em um cálice farto do mais adstringente vinho
veja nela o retrato abstrato de um concerto insano em moscou
que em uma fotografia derrocada das suas teorias desatinadas
a imagem em preto e branco do seu intelecto em seu aspecto sobejou
porém não se esqueça de apresentar-se com maneiras requintadas
pois ela traz consigo a suntuosidade das mulheres da belle époque
então converse com ela e a emocione com pronunciações quiméricas
para que seja possível naufragar nestes olhos com lágrimas em estoque
e compreender sua personalidade lúgubre em pessoais efígies coléricas

ao fim não se esqueça de resguardar os bongôs que ela deixar pelo caminho
e quando ao longe observá-la contestando a sempiterna orbe capitalista
ou enamorando-se por poetas utópicos aos versos repletos de neblinas
recorde-se das duas poetisas que nesta época encontrou:
o ângulo bizarro de ginsberg
a faceta libertina de rimbaud