sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ao bardo que me conspurcou



I

Naquele maio, esquentei-me em desejos íntimos,
Pois, ao encontrá-lo, testemunhei-me em um lar.
Afundei-me libidinosamente em anseios ínfimos
E deitei-me sobre o amor para senti-lo extravasar.

Maiakóvski, desejo-o como marido e amigo!

II

Andamos, lado a lado, sobre o abismo do pecado
E, sem cautela, nos lançamos a um casto frenesi.
Que, em meu peito nevado, se introduziu calado,
Simulando ardilosamente uma inocência de guri.

Lord Byron, desejo-o como amante e cáften!

III

O poeta, que conheci na taverna,
Transformou-me em poesia bela.
Deu-me vinho e, após me poluir,
Pela viela, o bardo me fez ir e rir.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Estação de remanso



Sigo sendo aquela moça que ouve Caê
e que também escreve tanto quanto lê.
Continuo sendo apenas a mesma guria
que nas cores se colore toda em poesia.
No teatro da vida, não mais dramatizo
despercebida. Nesta cena, estou serena
aos olhos do moreno que acena e canta:
Veja, pequena, a maré, por ora, baixou.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Existo



Eu:
Senhora de minha síndrome oscilante de estado de incerteza,
Posto-me absorvida maquinalmente em meu intelecto instável.
Invadida por qualquer conto mitológico repleto de estranheza
E de esperanças que se alteram – as esperas desesperam!
Não mais perguntarei onde estou & aonde vou, pois
Recordo-me de haver sido, logo sou.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Soneto aos amantes noturnos



Todas as dores de amores
Em um macróbio coração
Desde fulgores a horrores
Há uma lacônica citação:
Amar nunca foi uma opção
Poucas cicatrizes descritas
Em um romance melífluo
Alguma incerta preocupação
Em um inconsciente obscuro
Pavor não é medo do enredo
Talvez um mero desconhecer
Ou ainda um simples segredo
Que discretamente se perfaz
Na aurora luzente do alvorecer.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Frasco nº 9


Às vezes devemos perdoar a nós mesmos por coisas que sequer fizemos. E justamente por não as termos feito.