cozinhar também
é inventar poemas
terça-feira, 14 de maio de 2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
amor
honestamente
no
meu peito sempre esteve presente o vórtice dos sentimentos
e
a valentia de me atirar ao tramite estreito do precipício alheio
reconhecer-me
em cada início de catástrofe nunca foi um pesadelo
esse
desastre já nasceu com toda gente e vem de outro hemisfério
não
inventaram para ser escárnio de uma multidão indiferente
não
somaram aos anos malogrados nem sentenciaram corações
permitiram
a licença poética a cada verso do sentir compartilhado
abriram
os portões das terras a serem desbravadas por todas e todos
sem
designar autoridades ou determinar protótipos ou dar desculpas
é
verdade
que
no meu peito sempre esteve presente o vórtice dos sentimentos
e
a valentia de vencer as mágoas e resguardar as memórias brandas
esquecer-me
do dia triste do meu avô e de que neste mês fará um ano
foi
mais difícil do que guardar todas as fotos dentro de cada livro
–
e saiba que foi custoso deixar as fotos nos interiores dos livros –
na
estante não há mão nem braço ou boca para tocar em outra
não
há abraço ou respiração involuntária e lenta durante o sono
ao
menos não há culpa como essa que ficou após a morte do vô
mas
há os inventos e os pequenos pedaços de imagens cruas
de
modo transcendente
no
meu peito sempre esteve presente o vórtice dos sentimentos
e
a valentia de ser e de saber amar
o
amor
quinta-feira, 25 de abril de 2019
espaço e tempo: as caixas
choveu
tanto que todas as caixas derreteram sozinhas
deixadas
ao lado de sacos de lixos na calçada da rua
da
minha casa e continuou chovendo muito que sequer
saí
para fora do escritório depois do fim do expediente
e
não comprei café e água ou chá e vinho e qualquer
coisa
que possa me alimentar e também te alimentar
porque
eu sempre me preocupo se tu vais passar fome
depois
de me aguentar por quatro horas reclamando
que
já não tenho minutos para gastar em algumas folhas
de
processos velhos refertos de ácaros e de mentiras
e quando parar de chover – porque em um
momento,
meu amor, não haverá mais chuva – não
perderei o meu
tempo já chamado de subjetivo ou de noção
a priori
e como kant negarei a realidade dele e
penso que pelo
bem do sujeito desta oração farei o mesmo
conosco
sem arrependimentos ou sentimentos e
ressentimentos
então depois de encerrado todo o dilúvio e
de toda água
potável haver acabado tu compreenderás que
era fonte
esgotável em um tempo de intuição interna
não real
como objeto e que não será possível
reconstruir as caixas
que foram deixadas sozinhas do lado de
fora da casa
sábado, 6 de abril de 2019
na cidade
à
noite o céu é mais bonito no campo
inventam-se
estórias sobre cometas
e
crenças antigas dos pais dos avós
acompanham
o vento que apaga o fogo
no
chão as veredas perenes são firmes
distantes
estão as metrópoles e seus guetos
e
dentro o desejo de sair em silêncio
árduo
êxodo de lembranças bucólicas
o
campo carrega muitos segredos
em
contrapartida no céu da capital
há
menos pingentes e vaga-lumes
as
luzes acendem sozinhas à noite
na
esquina da rua e inertes na sala
vidraças
trincadas prendem o ar
sufocadas
como se doentes fossem
nas
janelas dos prédios de hospitais
denominem
independência moderna
individualista
ou qualquer terminologia
solta
em um artigo de revista digital
o
tempo é honesto de certo modo
parados
estavam os dois quando
perderam
o medo do movimento
como
quem se perde na cidade
perderam-se
imóveis do lado
oposto
de cada calçada deserta
uma rua
referta de carros blindados
inquieta
paisagem contemporânea
a
cidade ajuda a guardar os segredos
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
prelúdio de algo n.º 1
incerto e inesperado – superestimado objetivamente –
barulho vindo de ti a ressoar aqui – subjetivamente alterado – em mim
sábado, 14 de outubro de 2017
daqui de dentro
fechei porta
e janela
então abri
meu coração
e te deixei
do lado
de dentro
da casa
de mim
e janela
então abri
meu coração
e te deixei
do lado
de dentro
da casa
de mim
através
da janela
pensei ter te visto no telhado de uma casa
mas não era
olhei de novo e vi uma antena branca
em um fundo cinza
de uma equivocada primavera
pensei ter te visto no telhado de uma casa
mas não era
olhei de novo e vi uma antena branca
em um fundo cinza
de uma equivocada primavera
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