segunda-feira, 21 de abril de 2014
Frasco nº 9
Às vezes devemos perdoar a nós mesmos por coisas que sequer fizemos. E justamente por não as termos feito.
domingo, 16 de março de 2014
Conexão cósmica
o que você
diria além de “hoje basta!” e ainda o que faria
se o meu facundo
mundo não houvesse sido o seu inferno
(sempiterno)
e se o seu
sorriso – tão irônico – não tivesse sido água fria
a diminuir
o ardor do âmago incendido deste caos interno
o que
seríamos se não houvéssemos sido exatamente tortura
o que
seria “dor & amor” se não fosse toda essa entrega pura
(ternura)
não
haveríamos de ser assim metade dessa melancolia bélica
pois somos
consequência do universo: uma conexão cósmica
segunda-feira, 10 de março de 2014
As estrofes
O chá
banhou os versos do meu poema
e das
estrofes eu fiz um imenso dilema
ao ver em
meu quarto o seu belo retrato
transformei-as
em um curto esparadrapo
figurando
um ready-made do Duchamp
que grudei
à melancolia do meu coração
Vísceras
de nonsense neste sentimento em
delação
Dissimulado
em versos de poesias ultrarromânticas
Que
ultraje seria se não fosse uma aveludada canção
Para
acompanhar o escorrer do líquido sobre as estrofes
As
palavras já não surgem facilmente
e não
considero isso um grande problema
pois o
veludoso som penetra-me calmamente
fazendo-me
mais taciturna do que inerte
semelhante
à xícara vazia sobre a mesa
não tão
oca quanto as estrofes devolutas
que vagam
em um fluído de incerteza
impelindo-me
a emoções irresolutas
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
as meias amarelas que você esqueceu
brincando
de soldado na segunda guerra
enquanto
guardo as suas meias amarelas
no meu
sutiã vermelho sangue e recordo-me
vagamente
das estrelas decadentes que beijei
pelas frestas
dos seus dentes superiores e ainda
assim não pude achar a saída desta galáxia
onde me
perdi ao encontrar estas velhas
meias
amarelas que você deixou na parte
mais
iluminada da nossa lua e eu ainda
estou
sonhando nua em suas frases chiadas
e
contagiantes entre as nossas tantas risadas
conectadas
pelos dois lados deste vasto afeto
que eu
escrevi com o Allen na primeira tarde
depois da sua
partida à tribo do lado oeste
quando se
esqueceu de me dar o beijo azul celeste
que me
libertaria deste cofre prata do sul
e então apesar
do epílogo que remanesceu silente
pela
luneta dos meus olhos avermelhados
eu sei que
posso observar o ocidente dos seus
pés
distantes descalçados das velhas meias
amarelas
que agora estão guardadas nos
meus seios
de anseios constelados.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Something for John Quixote
Who was Dulcinea?
Who was Don Quixote?
I don't have an idea
But I could think a lot
I’m a beatnik and
Kerouac's fan
I'm crazy about Dalí and
I know
I would paint you under
the sun
And I could write a poem
to you
I want to be your
bedside's problem
Or maybe just your pair
of socks
I want to find your
chords again
In fact I'm just another
latin american
Looking for a place &
a chance
When half of the tears
are feelings
And the other half only
water
Is a good
thing
Who was Rimbaud?
What was the symbolism
for us?
I don't know how to tell
you for sure
But I can show if you
want
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