dessas coisas que morrem nos inícios de ano
desfalecem as inércias e renascem as urgências
passam os pequenos medos e se agigantam as ideias
aquelas de “quem poderemos ser” e “aonde vamos chegar”
acabam os sonos da tarde e os receios de dormir no mar
desejos antigos parecem recém concebidos e surgem maiores
amplos como maré de sizígia em tempo de lua nova ou cheia
e tudo fluido marcando o tanto de vida que ainda contamos de
ter
mas desses pensamentos que em um susto crescem por agora
por que não reparar na ideia de “quem deixaremos de ser”
ou naquela outra de “até quando poderemos aguentar”
se há muito fazemos o mesmo como se novo fosse
e como se não estivéssemos a recontar
às vezes o certo é sentir e seguir
em outras devemos parar e pensar
já que novamente estamos em janeiro
e dessas coisas que morrem nos inícios de ano
desfalecem as inércias e renascem as urgências
que agora pela primeira vez já não são as mesmas
são novas como tudo isso que há um ano mora inteiro em mim
desde a influência desse amor que por sorte recebi
a ponto de ouvir “eu sentia que a liz estava conseguindo
te fazer viver mais” e “ela conseguia te desligar do
trabalho”
e é sobre essas coisas que estou a escrever
dessas que morrem nos inícios de ano
quando desfalecem inércias e renascem urgências
diferentes daquelas de outrora e mais cheias de si
pulsando segundo a segundo e próprias de sentimento
distantes de corporação e mais próximas da vida
dessa que os poetas escrevem e nos fazem crer
que nada valeria mais do que o amor
já que amar desarma a luta
mas o que fazer quando as lutas se dão de dentro para fora?
não sabia responder
até encontrar um pouco de vida no caminho
30°01'53.4"S 51°12'34.3"W
(eu voltaria às mesmas coordenadas para sempre
e desarmaria o amor a vida toda por você)
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