O encerramento
do sexto ano se aproxima. Escrevo sobre quinze de janeiro. Há seis anos. Havia
uma jovem que recém tinha terminado o ensino médio. Havia resquícios de
rebeldia. Marcas da infância. Problemas de personalidade sob um invólucro de
poucas palavras e de muita observação. O relógio foi rápido e os calendários
narraram seus dias. O tempo foi justo. As letras modeladas descobriram o que
estava encoberto por duas décadas. Este espaço foi um jogo pessoal de
revoluções mentais. Seis anos em guerra contra faunos: a mulher venceu sua
escrita. Ela eclodiu em uma luz transcendental. Os projetos se amplificam e se
tornam coisas reais. A realidade vem em um folk antigo. Descasquei-me e me vi
nua em um retrato futurístico. Li meu nome em voz alta. Cerrei as pálpebras por
seis segundos, abri e percebi o dezessete se metamorfosear em um vigoroso vinte
e três. Pensei como Alejandra Pizarnik: observei aquela outra e fitei a de
agora. Aceitei-me: exótica, excêntrica e mulher. Perdoei-me. A vida está me
guiando por um novo caminho. A jornada é tranquila. Submeti-me ao processo e
com ele chegarei ao topo da montanha sagrada para apanhar minhas estrelas e guardá-las
no bolso do meu jeans desbotado. O desenho de um olhar nos meus olhos sob
grossas sobrancelhas escuras e a palidez da tez sobre o cálido sangue não
mudaram. A mudança se esconde em partes impossíveis de serem vistas, mas é perceptível.
A franja e os óculos estão aqui, mas o blog cumpriu sua promessa e adormecerá
no universo internético. Se você me lia, não mais me lerá. Talvez em um janeiro
futuro, talvez nas páginas de um manuscrito. Até mais, caos eterno. Agora que
sou outra já não tenho medo que isto acabe. Vamos à história dos subúrbios, leitor.
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